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História do pensamento pedagógico brasileiro – Parte 2

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Percebe-se, pois, dois grupos dominando a trajetória do pensamento pedagógico brasileiro, os católicos e os liberais, porém, as mudanças pregadas pelos dois grupos estavam mais relacionadas aos métodos do que ao sentido da educação, ambos não se preocupavam com a educação popular, ou seja, a discussão sobre as classes sociais. Os liberais tinham em seus discursos o ideal de igualdade social, mas na prática reforçava as diferenças, fato este que ocorre ainda hoje.

Na primeira metade do século XX o discurso pela igualdade de direitos esteve muito presente no pensamento dos educadores e nos textos constitucionais nas propostas da escola pública, que deveria ser obrigatória e gratuita. Porém o que a realidade apresentava, desde de sempre, era uma divisão de uma escola destinada aos filhos da burguesia, preparatória para a universidade e uma educação direcionada às atividades práticas como o ensino industrial, agrícola e comercial para a classe trabalhadora.
Saviani (2004), ao retratar a Educação no século XX afirma ser este um período em que será lembradas futuramente como o período que representou a era das maiores conquistas tecnológicas que se reverteram num novo modo de viver para a minoria camada mais privilegiada da população, porém, a maioria dos seres humanos ficou alheia a tais mudanças. No caso do Brasil, a educação se no século XX se caracterizava como um antídoto para todos os males e uma mola propulsora da ordem e do progresso, visando uma utópica democratização e universalização do conhecimento. O discurso utilizado nessa época era de uma educação ministrada com o intuito de ser auxiliar na edificação da cultura e do conhecimento sem barreiras, ou seja, para todos. Este certamente continua sendo um sonho distante e utópico, em especial no que se refere ao ensino superior.

Não existe ainda um sistema escola que consiga amenizar a as diferenças entre as classes sociais e diminuir a barreira imposta entre a riqueza e a pobreza, mesmo já tendo claro o objetivo da Educação, ou seja, o compromisso com a igualdade, o século XX não deu conta de encerrar esses paradoxos e a desigualdade continuou a se fazer presente na educação. Já ao findar do século XIX os projetos pedagógicos, pautados no liberalismo, clamavam por uma equalização de oportunidades com a promessa de uma libertação humana. O século XX trouxe como herança esses ideais de igualdade, no entanto as contradições sociais e políticas colaboraram e muito para o fortalecimento das desigualdades no qual o século passado foi portador. Ficando assim o século XX edificado sobre o pantanoso terreno da desigualdade, da opressão e da desumanização (SAVIANI,2004).

Após a ditadura inicia-se um período de redemocratização da educação, que logo é interrompido pelo golpe militar de 1964. Nesse breve período o movimento educacional tomou um novo impulso, distinguindo-se dois grandes movimentos: o movimento por uma educação popular e o movimento em defesa da educação pública. Em 1988 retoma-se a discussão por uma educação pública popular, os responsáveis por esse novo movimento acreditam que é necessário um envolvimento do estado, em conjunto com a sociedade organizada, para que haja um avanço educacional (SODRÉ, 1983).

No século XXI a sociedade assume um perfil de sociedade informacional. No que se refere a educação, a revolução informacional prioriza o domínio de certas habilidades, as pessoas que não têm as competências para lidar com a informação, a informática, fica excluída, ou seja, fica claro que o papel da escola não é neutro, ela colabora sim na exclusão da classe menos favorecida. Neste contexto, a mesma deve permitir o desenvolvimento das habilidades como seleção e o processamento da informação, a autonomia a capacidade de lidar com as informações, o trabalho em grupo, etc. (IMBERNÓN, 2000).

Ainda segundo Imbernón, a educação numa sociedade de informação deve basear-se na utilização de habilidades comunicativas, de tal forma que nos permita participar mais efetivamente e de maneira mais crítica e reflexiva na sociedade. Se pretendermos superar a desigualdade que gera o reconhecimento de determinadas habilidades deveremos pensar sobre que tipos de habilidades estão sendo potencializadas no contexto de formação e, se, com isso é facilitada a interpretação da realidade a partir de uma perspectiva transformadora.

Alerta-nos também com relação ao nosso papel enquanto educadores nesses novos tempos, ou seja, será que realmente estamos em situação diferenciada dos que já passaram pelos caminhos da educação a tempos atrás? Temos respeitado a individualidade? Temos primado por uma educação que supere o modelo informativo e excludente? Será que somos realmente diferentes, ou é mais uma ilusão que nos padroniza de outra maneira? E aponta alguns rumos ao profissional desse século, alertando que este necessita de alguns pré-requisitos básicos para lidar com essa era do conhecimento, entre eles esta a necessidade de se assumir a postura de mediador de aprendizagem e não tanto a de fornecedor de saber.
São muitos os autores que têm apontado a necessidade de mudanças no que se refere a postura profissional do docente para que o mesmo possa cumprir seu papel de educador em pleno século XXI, século este marcado pela era do conhecimento e da informática. O professor precisa estar atento a isso e adequar sua prática pedagógica para que possa ser coerente com o modelo de sociedade vigente.

É o caso, por exemplo, de Demo (2004), que denomina nossa sociedade como sendo esta uma sociedade “intensiva” de conhecimento, para adequar-se a essa sociedade é preciso que o professor assuma uma postura estratégica, ocupando um lugar decisivo e formativo, para isso necessita de uma reconstrução completa, ou seja, saber renovar, reconstruir, refazer a profissão. Não basta hoje apenas o domínio sobre os conteúdos específicos de sua disciplina, visto que estes se desatualizam com o tempo, e sim, saber renova-los de maneira permanente, este é o desafio do professor do século XXI.

O autor afirma ainda que professor não aquele que “dá aula”, ou seja reproduz o conhecimento, visto que hoje, com tanto avanço tecnológico, os computadores têm dado conta de reproduzir conhecimentos de maneira bastante satisfatória.

Dessa maneira, o professor deve ser responsável pela aprendizagem, instigar a emancipação dos alunos, possibilitar que estes sejam capazes de pesquisar, elaborarem seus próprios conceitos, por meio da pesquisa, envolver-se no seu processo de aprendizagem, ou seja, estabelecer uma relação pedagógica com seu aluno, para este possa efetivamente aprender, compreender e apropriar-se do conhecimento. Nessa condição, o professor do futuro, como intitula Demo, em vez de insistir na relação pedagógica mediada basicamente por procedimentos reprodutivos, utilizando-se apenas de aulas expositivas, precisa voltar-se para a posição socrática e autopoética de fomentar no aluno a habilidade de saber pensar, contrapondo o positivismo das certezas e verdades com a habilidade de argumentar. Assegura ainda que o aluno que aprende a argumentar faz ciência e constrói sua cidadania.

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Hoje existe quase que um consenso acerca das aulas instrucionistas e do quando estas pouco acrescentam na construção de conhecimento, sobre tudo porque caracteriza a condição do aluno como objeto de manipulação pedagógica, as aulas expositivas dificilmente proporcionam a reflexão por parte do aluno, talvez a informação sim, porém, na nossa era da informatização o computador também da conta de informar muito bem nossos alunos, então, qual seria o diferencial do professor? Seu diferencial está em possibilitar que tais informações se transformem em conhecimento realmente, que aluno possa articular essas informações e construir seu conhecimento acerca das mesmas, este é o desafio.

Demo (2004) afirma que o professor do futuro deve conduzir à pesquisa e elaboração própria, caso contrário o professor priva este da autonomia necessária para (re)construir o conhecimento, tornando-o dependente da ação docente, inseguro e adestrado frente às avaliações. Certamente isso exigirá do professor uma nova postura perante sua atuação, sobre tudo, com relação a sua formação profissional, ou seja, já não basta apenas que o professor se limite à apenas sua formação inicial, visto que a velocidade com que se da a evolução do conhecimento é muito grande, é necessário, pois, manter-se sempre em atualização e em processo de aprendizagem.

CONCLUSÃO:

Após esse breve passeio pela história da Educação Brasileira pudemos perceber o quanto nossa trajetória foi marcada por lutas travadas para que pudéssemos sobreviver às imposições e manejos feitos por Países interessados em manipular nossa economia, nossa política e educação, sem perder de vista nossa cultura nacional, nossa identidade enquanto povo. A que se admitir que muito de nossa identidade foi perdendo-se com a influência externa, que deixou muito enraizada em nosso País suas próprias concepções e culturas, interferindo assim em uma identidade homogenia de nossa nação.

Podemos afirmar que nosso pensamento pedagógico está em plena construção e que somos protagonistas nesse processo de construção.

Nosso século atual exige de nós profissionais ligados à educação uma nova identidade, pois, já não nos basta sermos transmissores de conhecimento em sala de aula. Hoje o acesso às informações é muito diverso, por tanto, devemos ultrapassar o papel de instrucinismos e nos portar como educadores, preocupados realmente com o processo ensino aprendizado dos alunos, ou seja, possibilitar um ambiente escolar em que o aluno possa construir seu conhecimento, por meio da mediação e articulação do conhecimento feito pelo professor.

Estamos diante dos cursos à distância, que cada dia cresce e se expandi mais, desprezando a presença de um professor em sala de aula, ou seja, já se cogita a possibilidade de educação sem a presença de quem até então era a figura tida como a mais importante da sala de aula, o redentor do saber que deveria ser transmitido aos ouvintes, ou seja, aos alunos. A ideia de mero transmissor já foi a baixo, assim como a de ouvintes, porém, eis então o possível desafio que nos impõe o século XXI, lidar com toda essa tecnologia como auxiliar no processo de ensino aprendizagem e não um substituto ou algo que coloque em risco a profissão docente, pois, não máquina, ainda, capaz de suprir o papel de educador com tanta eficiência quanto um bom professor.

Caberia aqui uma longa discussão para tentar uma aproximação com o que seria um “bom professor”, porém, não a isto que se propôs responder este artigo, e sim, traçar um breve caminho da história de nossa educação, do quanto à mesma sofreu interferência de nossos colonizadores e ainda sofre por parte dos países tidos como os “países desenvolvidos”, o quanto já caminhamos e, sobretudo, o quanto ainda precisamos caminhar para continuar traçando nosso pensamento pedagógico, autentico e que atenda as necessidades dessa comunidade que emerge em nosso século, a sociedade do conhecimento, do qual a escola precisa se adequar muito para estar a altura.

REFERÊNCIAS:

  • DELVAL, J. Crescer e Pensar – a construção do conhecimento na escola. Porto Alegra: Artes Médicas, 1998.
  • DEMO, Pedro. Professor do futuro e reconstrução do conhecimento. Petrobrás, RJ: Vozes, 2004.
  • GADOTTI, Moacir. Pensamento Pedagógico Brasileiro. 7ª ed. São Paulo, SP: Ática, 2001.
  • IMBERNÓN, F. (Org.) A Educação no século XXI: os desafios do futuro imediato. Trad.: Ernani Rosa. 2ª ed., Porto Alegre, RS: Artes Médicas Sul, 2000.
  • LIBÂNEO, José Carlos. Prática Educativa e Sociedade Didática. São Paulo, SP: Cortez, 1994.
  • MIRANDA, Marília Faria. de. Num quintal da globalização: reflexos do processo de ocidentalização do mundo na educação brasileira de ensino médio. Tese de Doutorado. Marília, SP: Biblioteca-UNESP, 2000.
  • SAVIANI, Dermeval. O legado educacional do século XX. [et.al.]. Campinas, SP: Autores Associados, 2004.
  • SODRÉ, Nelson Werneck. Síntese de História da Cultura Brasileira, 14ª ed., São Paulo, SP: Difel, 1986.

Fonte: Portal Educação

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Publicado em:Educação e Pedagogia

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