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História do pensamento pedagógico brasileiro

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História do pensamento pedagógico brasileiro

INTRODUÇÃO:

A trajetória do pensamento pedagógico brasileiro teve durante seu percurso grandes marcas causadas pela influência de nossos colonizadores e países tidos como os “países desenvolvidos”, que demonstraram claramente muitos interesses políticos e econômicos ao influenciar nosso pensamento pedagógico. A Educação por muito tempo serviu como uma mercadoria a ser consumida, servindo muitas vezes como, se não a única, uma das principais fontes de ascensão do País. Acreditava-se que a Educação seria o meio no qual o Brasil se utilizaria para conquistar uma sociedade pautada nos moldes europeus e norte americanos.

Até onde isso já se decepou não se sabe ao certo, o que se sabe é que ainda hoje nosso País busca identidade própria no que se refere ao campo da Educação. Existem grandes desafios a serem vencidos e o caminho certamente será longo. Porém, mais desafiador que a construção de identidade própria é o desafio em lidar com a Educação em pleno século XXI, marcado pela era do conhecimento, da digitalização e da demanda de informações existentes hoje.

O presente texto tem como objetivo traçar um pequeno resumo sobre a trajetória do pensamento pedagógico brasileiro, as marcas deixadas por nossos colonizadores e a tentativa de transformar nossa educação com o perfil nacional que a mesma merece. Entende-se que nossa história encontra-se ainda em fase infantil, considerando-se o pouco tempo em que conseguimos atar as amarras impostas por influências externas, porém, nesse pouco tempo de história, com certeza, muitos casos já há para se contar!

Breve trajetória do Pensamento pedagógico brasileiro:

A Educação, também compreendida como prática educativa é um fenômeno social e universal, que já se manifesta de longa data, sendo uma atividade humana necessária à existência e funcionamento de todas as sociedades. Uma não existe sem a outra, ou seja, não há sociedade sem prática educativa e tampouco prática educativa sem sociedade, ambas estão interligadas. A prática educativa não é apenas uma exigência da vida em sociedade, mas também possibilitadora dos conhecimentos e experiências culturais, ao indivíduo que se torna apto a atuar no meio social e transforma-lo em função de necessidades econômicas, sociais e políticas da coletividade. No sentido amplo da palavra, Educação compreende os processos formativos que ocorrem no meio social, no qual os indivíduos estão envolvidos de modo necessário e inevitável pelo simples fato de existirem socialmente.

Segundo Libâneo (1994), a prática educativa existe numa grande variedade de instituições e atividades sociais decorrentes da organização econômica, política e legal de uma sociedade, da religião, dos costumes, das formas de convivência humana. Em sentido estrito, a educação ocorre em instituições específicas, escolares ou não, com finalidades explicitas de instrução e ensino mediante uma ação consciente, deliberada e planificada, embora sem separar-se daqueles processos formativos gerais.

O processo educativo, onde quer que se dê, é sempre contextualizado social e politicamente, há uma subordinação à sociedade que lhe faz exigências, determinam objetivos e lhe provê condições e meios de ação. A educação como fenômeno social, e parte integrante das relações sociais, econômicas, políticas e culturais de uma determinada sociedade, sendo assim, as finalidades e meios da educação subordinam-se à estrutura e dinâmica das relações entre as classes sociais, ou seja, são socialmente determinadas (LIBÂNEO, 1994).

A instituição escola foi criada justamente para ser um dos veículos da educação, uma educação sistematizada, de maneira ordenada, organizada em conteúdos específicos que lhe são pertinentes. Constitui-se em uma espécie de organização social do saber.O campo específico de atuação profissional e política do professor estão relacionados à educação e as estes cabe a tarefa de assegurar aos alunos um sólido domínio de conhecimentos e habilidades, o desenvolvimento de suas capacidades intelectuais, de pensamento independente, crítico e criativo. Ao realizar suas tarefas básicas, as instituições de ensino e os professores estão cumprindo responsabilidades sociais e políticas. Ao possibilitar aos alunos o domínio dos conhecimentos culturais e científicos, a educação escolar socializa o saber sistematizado e desenvolve capacidades cognitivas e operativas para a atuação no trabalho e nas lutas sociais pela conquista dos direitos de cidadania, dessa maneira, efetiva a sua contribuição para a democratização social e política da sociedade. (LIBÂNEO, 1994).

No decorrer do texto perceberemos o quanto nosso pensamento pedagógico foi fruto de ideários vindos do exterior, na sua maioria resultado de um entusiasmo intelectual, político, social e de acordos entre poderosos governantes e agencias internacionais, como afirma MIRANDA, 2000.

Percebe-se na história da Educação brasileira uma grande tendência em atender aos alunos de acordo com a classe social a qual pertenciam, isso ocorre desde os tempos em que a educação estava sob o domínio jesuíta até o momento de a escola laica surgir, ou seja, já nos tempos modernos. Quando a igreja toma para si a responsabilidade da instrução pública, ou seja, ainda no Império Romano, as escolas possuíam duas categorias, uma destinada à formação dos monges e outra para a instrução da plebe, nesse contexto, não havia o interesse em que a massa aprendesse a ler e escrever, a finalidade da educação para tal classe social era apenas a de familiariza-la com as doutrinas cristãs e mantê-la dócil e conformada com a própria realidade.

Sodré (1983), ao referir-se a história da cultura brasileira afirma que o Brasil teve o processo de aculturação advindo de uma transplantação, ou seja, herdou dos países colonizadores sua cultura. Não podemos considerar a cultura brasileira como realmente nacional, pois incorporou muito da cultura europeia em seu território. Nesse processo de aculturação nossa cultura dividiu-se entre a transmitida pelos jesuítas, destinada à classe dominante e a cultura indígena, tida como irrelevante e que praticamente foi destruída por esse processo de implantação. Neste modelo de ensino não havia muito espaço para criar, o conteúdo de alienação era implícito e o que se aprendia era desprovido de um sentido crítico.

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Ainda ao discursar sobre a trajetória histórica da educação brasileira o autor afirma que o interesse pela cultura e pelas artes era cultivado por motivo de ostentação, ou seja, a cultura tinha apenas a finalidade de formalizar a distinção entre as classes sociais, em que o trabalho intelectual era destinado à elite e o trabalho físico as classes mais baixas. Nota-se nessa época um violento contraste entre a minoria de letrados e eruditos e a enorme massa de analfabetos. A educação era destinada sobre tudo a preparação de uma elite do que para a educação do povo.

Essa realidade faz-nos refletir e fazermos um paralelo sobre a realidade hoje nas escolas e a hierarquia existente ainda entre as disciplinas escolares. Ainda hoje se nota a existência de disciplinas tidas como as de base, imprescindíveis, por julgarem lidar mais especificamente com o intelecto e as tidas como inferiores, como é o caso da educação física, que ainda sofre muitos preconceitos pelo fato de ainda estar tão enraizada essa mentalidade que distingue as atividades intelectuais e as atividades físicas, ou atividades práticas.

No início da constituição da classe burguesa já se via claramente uma diferenciação na constituição curricular, privilegiando o ensino das artes liberais nas escolas formadoras dos que seriam destinados a comandar o País e o ensino das artes manuais para os artesãos e nenhuma instrução para a maioria da população constituída de trabalhadores nas cidades e no campo. Esta fragmentação na educação brasileira, formação de classe dirigente e formação de trabalhadores, ficaram bem evidentes com a consolidação da burguesia como classe hegemônica a partir do século XVII e com o capitalismo como forma econômica.

Se por um lado aos filhos da burguesia destinava-se uma forma de educação diferenciada, ensino médio dissociado da vida real, composto por saberes livrescos e clássicos, o ensino médio também era vinculado a ideia de continuidade dos estudos na universidade, onde o ensino seria direcionado a formação de governantes e comandantes industriais.

Segundo Delval (1998), a implantação do ensino obrigatório e gratuito para todos é algo que começa a ser introduzido no século XIX. A história e a implantação do ensino obrigatório e gratuito organizam-se, então, em torno de dois tipos de objetivos: a) difusão da ideia de que a instrução é necessária para todos e que todos têm direito à ela, de maneira que se possa chegar a um igualitarismo por meio do ensino comum e b) a função econômica, social e ideológica que a educação desempenha para todos.

As duas funções principais desempenhadas pela escola obrigatória, inicialmente, eram manter as crianças ocupadas enquanto seus pais trabalhavam e ensina-las a respeitar e aceitar a ordem estabelecida, que aparecem claramente refletidas no tipo de ensino oferecido nas escolas, orientado principalmente à transmissão de valores. Os conhecimentos ocupavam lugar mínimo e eram transmitidos somente àqueles que possibilitavam que as crianças se transformassem em mão-de-obra capaz de trabalhar dentro do sistema industrial (DELVAL, 1998).
Ao iniciar-se a segunda metade do século XIX, a economia brasileira supera a longa crise que a golpeia e a mulher e o estudante estabelecem condições de sociabilidade que antes não existiam. Neste período, em que o desenvolvimento das relações capitalistas era ainda muito lento, as letras qualificavam os elementos que, sem elas, permaneciam obscuros.

Com o advento da República surgiam também novas necessidades políticas e o Brasil começa a ser pressionado a avançar no que se refere à educação. Com isso a educação e a cultura começam a chegar também as classes inferiores, meramente por interesse político, já que o analfabetismo era tido como sinônimo de subdesenvolvimento (SODRÉ, 1983).

Ainda hoje ocorre uma interferência dos países tidos como pertencentes ao mundo globalizado, ou os “senhores do mundo”, no que se refere a governabilidade e ao destino da educação nacional de cada país, um exemplo disso é essa exigência do aumento da escolaridade mínima requerida cada trabalhador ampliando o conceito de educação básica, agora compreendida até o ensino médio completo. O princípio norteador dessa proposta é fundamentado em uma lógica de mercado em que a educação torna-se um bem de consumo a ser comprado por quem a queira adquirir (MIRANDA, 2000).

Ao lermos a obra de Gadotti (2001), sobre o pensamento pedagógico brasileiro podemos afirmar que o mesmo se encontra ainda em sua fase infantil, analisando o tempo em que o mesmo tem andado por suas próprias pernas, ou seja, sem o domínio religioso que imperou até meados do final do século XIX. O que lhe garantiu uma maior autonomia foi o desenvolvimento das teorias da Escola Nova.

A educação conservadora jesuítica dominou nosso pensamento pedagógico por décadas, educação essa baseada em um caráter verbalista, retórico, livresco, memorístico e repetitivo, que estimulava, por meio de prêmios e castigos, a competição e descriminação. A escola jesuítica era dedicada à formação da elite brasileira e utilizavam a educação para difundirem nas classes populares a religião da subservência, dependência, e paternalismo, características ainda muito vigentes em nossa educação atual. Essa educação reproduzia uma sociedade perversa, dividida entre analfabetos e os “doutores” (SODRÉ, 1983).

Esse modelo de educação não foge muito ao nosso modelo atual de educação, onde poucos privilegiados têm a chance de concluir a escolaridade, ingressar nas universidades então, pode-se dizer que é um luxo para poucos. O que vivenciamos ainda hoje é uma educação excludente e dirigida conforme interesses políticos vigentes.

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Publicado em:Educação e Pedagogia,História

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